FEDERAÇÃO DISTRITAL DE COIMBRA DO PS
Depois de derrotado há dois anos, as posições entre candidatos invertem-se e Mário Ruivo mereceu a preferência de 50,50% dos militantes socialistas do distrito Mário Ruivo derrotou ontem Victor Baptista nas eleições para a Federação Distrital de Coimbra do Partido Socialista por uma diferença de 46 votos. O candidato da Lista A conquistou a preferência de 2340 eleitores contra 2294 do até então líder distrital. Ao longo da noite, numa altura em que o director da Segurança Social de Coimbra já festejava a vitória com os seus apoiantes no Hotel D. Inês, chegava a indicação que a diferença de votos seria apenas de cinco votos.
Os dados facultados ao Diário de Coimbra revelam que Mário Ruivo ganhou em 10 concelhos e ainda nas secções sectoriais, enquanto Victor Baptista alcançou vitória em oito. Os resultados mais expressivos a favor do candidato da Lista A foram alcançados em Arganil – com 107 contra 37 -, na Lousã – com 137 contra 29 -, Oliveira do Hospital – 207 contra 94 – e também em Coimbra – 727 contra 571. Aliás, neste concelho, Ruivo ganhou em quase todas as secções de voto, com a freguesia de Botão a destacar-se pela afluência às urnas. O vencedor da noite destacou-se ainda em Cantanhede, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Tábua.
Em contrapartida, foi em Penacova que os militantes socialistas revelaram um maior apoio ao candidato da Lista B, com 234 votos contra 45. Em Soure, Victor Baptista alcançou 221 votos e Mário Ruivo 84, em Mira e Góis, a diferença foi, igualmente, expressiva: 159 contra 75 e 107 contra 43, respectivamente. O líder da Distrital nos últimos anos ganhou também em Condeixa-a-Nova, Pampilhosa da Serra, Penela e Vila Nova de Poiares.
Ao início da madrugada, o Departamento Nacional de Dados do PS avançava com a vitória de Mário Ruivo com valores provisórios de 50,50%, ficando Victor Baptista a um ponto percentual (49,50%). Aliás, pouco depois de chegar ao Hotel D. Luís, o director do Centro Distrital de Segurança Social recebeu uma chamada telefónica do primeiro-ministro José Sócrates.
A noite foi de nervos para os apoiantes quer de uma candidatura, quer de outra. Na sede da Rua Oliveira Matos, a maioria dos militantes era afecta a Victor Baptista. Quando se começaram a conhecer os resultados de Coimbra, muitos já não acreditavam na vitória, mas havia quem fosse lembrando que o deputado perdeu várias vezes na sede de distrito.
Às 23h00 – uma hora depois do encerramento das urnas -, as contas estavam praticamente feitas e meia-hora depois Mário Ruivo chegava ao Hotel D. Inês, acompanhado da esposa e do filho. Entre aplausos e abraços, gritou-se PS, por «mudança» e pelo nome do vencedor, que teve a seu lado o secretário de Estado Paulo Campos e o mandatário Ricardo Castanheira.
Num discurso emocionado, Mário Ruivo reconheceu que há «uma expectativa muito grande de mudança». Na hora da vitória, recordou Fausto Correia, António Bronze e António Amaro, todos falecidos, acrescentando que o percurso «foi difícil», mas é resultado do contributo de todos.
A Paulo Campos agradeceu «o empenho, coragem, determinação e solidariedade» e sobre o seu opositor, que o havia derrotado há dois anos, disse que, «durante algum tempo, teve um papel importante na Federação». Agora, continuou, é tempo de «tentar reunir esta família tão desavinda, aceitar os camaradas que estiveram do outro lado […] Conto com eles e podem contar comigo, porque, a partir de hoje, é [o PS] um único partido».
Terminada esta batalha, Mário Ruivo concluiu dizendo que a primeira vitória tem de ser nas Presidenciais, com a eleição de Manuel Alegre.
No dia de ontem, as eleições para o Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Coimbra deram vitória a Adelaide Soares, que derrotou Lurdes Castanheira. Houve ainda eleição dos delegados ao Congresso.
Victor Baptista vai impugnar as eleições
Vítor Baptista recusava, ao início da madrugada, atirar a toalha ao chão. Pouco depois da meia-noite e meia, ao Diário de Coimbra, garantia estarem em causa «apenas cinco votos» uma vez que as suas contas apontavam para 2267 para Mário Ruivo e 2262 para a sua lista. «É meu entendimento que terá de se aguardar pela COC (Comissão Organizadora do Congresso)», referiu o presidente recandidato, numa altura em que ainda estava a proceder a algumas recontagens e à verificação de números.
Por outro lado, Baptista revelou ter-se deparado, ontem durante o acto eleitoral, com uma «situação surpreendente» que o leva a pedir a impugnação do acto eleitoral. Segundo nos explicou, «apareceram dezenas de militantes do PS a votar com um documento supostamente emitido pela Direcção Nacional, com um carimbo do PS, a dizer que os militantes tinham pago as quotas. Mas nem era um recibo, não estava numerado, nem dizia se o pagamento era em cheque ou em dinheiro e alguns foram emitidos fora da hora de expediente. Há que apurar a veracidade destes documentos cuja utilização nunca esteve prevista», referiu o também deputado socialista, garantindo que em diversas mesas de voto esta questão foi levantada. Mais, acrescenta Baptista, eram pessoas da mesa de voto que entregavam o documento ao militante que se aproximava para votar e não era o próprio que o trazia.
Suspeitas que vão conduzir a um pedido de impugnação do acto eleitoral, por parte da candidatura de Baptista, que terá de ser dirigido à COC num prazo de dois dias após a afixação da acta por parte da Assembleia Eleitoral. A Comissão Organizadora do Congresso terá, depois, um máximo de dois dias a contar a partir do fim do prazo de recurso para tomar uma decisão, segundo o regulamento eleitoral do PS.
Da decisão da COC pode, qualquer um dos candidatos, num prazo de 48 horas, apresentar recurso para a Comissão Federativa de Jurisdição, que terá três dias para deliberar. Finalmente, desta instância cabe ainda recurso, num prazo de 48 horas, para a Comissão de Jurisdição Nacional que terá, tal como a estrutura distrital, de decidir em três dias.
Tendo em conta a curta diferença de votos e todo o ambiente pré-eleitoral é certo que o processo eleitoral de Coimbra vai correr todos estes trâmites pelo que uma decisão final só deverá ser conhecida em meados de Novembro.
In: Diário de Coimbra Online - 10-10-2010
Escrito por Patrícia Isabel Silva